O blog do Noblat

Noblat compareceu ao Jogo de Idéias e contou um pouco a respeito da experiência de escrever para um blog

            O jornalista Ricardo Noblat compareceu ao evento Jogo de Idéias na Universidade FUMEC, ocorrido em maio deste ano para falar a respeito de seu conhecido blog que tem como objetivo principal informar sobre política.

            Ricardo nunca havia pensado na possibilidade de ter um blog, não sabia nem mesmo como lidar com isso e de repente começou a trabalhar no jornal “O Dia”, no Rio de Janeiro onde deu início a um blog que não durou muito. Começou em março de 2004 e acabou em maio do mesmo ano.

            Um amigo sugeriu e fez um blog para que ele o continuasse, tendo como enfoque principal a política. Como estava desempregado resolveu aceitar a sugestão, postando notícias que não se sustentavam até o fim da semana.  Somente em outubro se deu conta de que o blog fazia sucesso e passou a se dedicar mais e a ser remunerado.

            Mudou completamente seu hábito de trabalho, passou a trabalhar muito mais e a gastar grande parte de seu tempo com ele, em média doze horas por dia. As pessoas querem notícias o tempo todo, então ele atualiza sempre o site afirma que alguns fatos exigem mais tempo e dedicação, como por exemplo, a eleição do presidente Severino Cavalcante.

Noblat se mantém ainda como repórter, sai às vezes para apurar fatos e procura não ficar tão preso somente a informações via telefone, apesar de ser ainda a fonte mais usada. Atualiza em média de dez a doze fatos por dia e afirmou que a veracidade das fontes nem sempre são confiáveis, o que o tornou mais rigoroso, pois no blog os possíveis erros não passam tão “despercebidos” como em jornais ou revistas, até porque nestes, os espaços para opinião do leitor são limitados. As pessoas por não terem necessidade de se identificar, se sentem com maior liberdade de expressão por ser um blog e comentam, criticam, elogiam, e todos os tipos de comentários são bem-vindos.

O jornalista aprende a ser mais humilde, a aceitar as diferentes opiniões e refletir sobre elas. É destacada também a troca de idéias a respeito dos interesses políticos do país, assunto que pode ser tratado de maneira interessante. O fato de a internet ser muito bem situada no Brasil reflete numa maior aceitação do blog. A maioria dos jornalistas de blog trabalha com mídia convencional e raramente o atualiza. Ricardo sugere também no blog, o jornalismo partidário, no qual predomina o sentimento majoritário das pessoas e não existe neutralidade, até a importância e abordagem de cada assunto é diferente. Procura mostrar as coisas com o seu ponto de vista e destaca a democratização da informação, a perda do monopólio no qual apenas o jornalista pratica jornalismo.

Ele não acredita no fim da mídia/imprensa, acredita sim em mudanças até porque a maioria das pessoas não lê jornal diariamente. Mas diz que os próprios jornalistas resistem a essas mudanças, pois infelizmente são muito conservadores.

Conta ainda que foi para a Angola e ficou fora do jornalismo durante esse período. Afirma ter sido uma experiência fascinante, viveu uma realidade totalmente diferente e teve que se adaptar à realidade africana.

“A maioria dos estudantes de jornalismo que se formam, entram no mercado de trabalho como assessores de imprensa, o que não é a mesma coisa. Esses jornalistas geralmente estão muito acomodados, precisam se voltar mais para a sociedade”, encerra ele.

 

Por Rafaela Pio

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