“Blogar” é o que há, segundo Noblat

Para o jornalista que possui um dos blogs de notícias mais acessados do país, os blogs auxiliam na democratização da informação

 

         Desde a chegada da Internet, o jornalismo tem sofrido transformações. O surgimento do jornalismo digital proporcionou uma verdadeira revolução na maneira de receber e transmitir notícias. Possibilitando a informação em tempo real, complementada por vídeos, fotos e gravações de áudio, a Internet vem contribuindo para uma dispersão do monopólio da informação pela mídia convencional e, de uma maneira geral, pelos próprios jornalistas. Isso tem gerado diversas discussões entre eles acerca do fim do jornal impresso e do próprio jornalismo, embora muitos acreditem que a cibercultura possa ser grande aliada na difusão das notícias que produzem. Um destes exemplos é Ricardo Noblat, jornalista pernambucano que tem no currículo Jornal do Brasil e Correio Brasiliense, e que há quatro anos mantém um blog sobre política – www.noblat.com.br, no portal do jornal O Globo, para onde escreve às segundas-feiras.

            No lançamento de seu livro “O que é ser jornalista?”, no programa Jogo de Idéias, apresentado por Claudiney Ferreira e Guilherme Kujausky e realizado pela TV Cultura e pelo Itaú Cultural, em São Paulo, Noblat fala um pouco sobre o que é ser jornalista na era digital e defende o blog no sentido de proporcionar uma relação mais próxima e imediata com o internauta/leitor, uma vez que não há intermediários. Ele aponta os comentários como uma importante fonte de retorno destes leitores, contendo críticas, informações que acrescentam, que geram discussão acerca do assunto ou que trazem novos assuntos. Para ele, a única desvantagem é “não ter a quem culpar pelo seu erro”.

            No evento, a defesa do jornalista foi acatada pelos apresentadores, que citaram o caso do jovem iraquiano que em 2002, com o pseudônimo de Salam Pax, começou a publicar seus textos em um blog que acabou por se tornar famoso em todo o mundo. Seus textos, escritos em inglês, tratavam de vários assuntos, mas se destacavam por narrar de maneira fluente, intrigante e irônica as dificuldades de se viver em uma Bagdá sob regime de Saddam Hussein e invasões americanas. O blog fez tanto sucesso que mais tarde o jovem recebeu um convite para escrever para o jornal The Guardian, da Inglaterra, e seus relatos são considerados documento histórico. O site dos “Jornalistas da Web (JW)” foi citado como outro exemplo de jornalistas a favor da era digital que usufruem da esfera cibercultural. Criado há oito anos, o site publica notícias de jornalismo digital , produzidas com apoio de especialistas  no assunto, e já se tornou referência nacional em jornalismo online.

            Sobre a discussão do fim do jornal impresso, Noblat afirma que há o risco de isto acontecer se a mídia impressa não começar a se adaptar às transformações que estão acontecendo, ou seja, evoluir junto com o jornalismo. Para ele, a “culpa” desta evolução ainda não ter se efetivado é dos próprios jornalistas, que ele classifica como “conservadores e acomodados”. Para encerrar, o blogueiro ainda afirma que com o fim ou não do jornal impresso, “o jornalismo é o exercício do conflito, diariamente, e o jornalista tem compromisso com a sociedade, quem paga seu salário é o cidadão”, conclui.

 

por Bárbara Rodrigues

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